Análise poética em Olavo Bilac – Língua Portuguesa
Andressa Paradiso
Caroline Desirée Veiga
RESUMO
Este
trabalho visa apresentar um breve histórico do que foi o Parnasianismo no
Brasil, tendo como principal representante desse estilo Olavo Bilac. Neste
artigo será analisada a obra poética de Olavo Bilac, Língua Portuguesa.
Palavras-chave:
Parnasianismo, análise literária, Olavo Bilac.
INTRODUÇÃO
O tema deste trabalho está direcionado à
Literatura Brasileira: Poesia. O presente trabalho relaciona-se a
uma breve apresentação do movimento parnasiano que surgiu na França com a publicação
de antologias intituladas “Parnaso Contemporâneo” e sua chegada ao Brasil tendo
como principal nome, Olavo Bilac.
O
preciosismo verbal – característica do estilo parnasiano marca o movimento
representado, no Brasil, por Olavo Bilac. As características que serão
apresentadas estão presentes no poema Língua
Portuguesa, na qual faz uma abordagem sobre o histórico do nosso idioma.
1.
PARNASIANISMO
O
Parnasianismo é uma oposição ao romantismo, porque volta-se a busca da forma
perfeita.
O
movimento faz parte das Escolas Realistas, de origem francesa, que surgiu com a
publicação de antologias intituladas Parnaso
Contemporâneo, onde os poemas representavam uma nova forma de escrever em
oposição às características do estilo romântico (subjetividade, idealização,
emotividade, etc.).
A
estética parnasiana centrou-se no ideal da “arte pela arte”. Os parnasianos
tiveram como referência a cultura Greco-romana da Antiguidade. A origem da
palavra Parnasianismo está associada ao Parnaso grego,segundo a lenda um monte
da Fócida,na Grécia central, consagrado a Apolo e às musas. A escola do nome já
comprova o interesse dos parnasianos pela tradição clássica. Acreditavam que, apoiando-se
nos modelos clássicos, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo,
e ao mesmo tempo tendo o equilíbrio que desejavam. Eles buscavam recuperar os princípios
da arte clássica (valorização da estética, busca da perfeição, linguagem
rebuscada e culta, preferência pelo soneto, etc.).
1.1
PARNASIANISMO NO BRASIL
As
ideias parnasianas já vinham sido difundidas no Brasil desde 1870, no final dessa
década houve uma polêmica no jornal Diário
do Rio de Janeiro onde de um lado se reuniram os adeptos ao Romantismo e de
outro dos adeptos do Realismo e do Parnasianismo. E isto ficou conhecido como Batalha
do Parnaso se divulgou as ideias do Realismo e do Parnasianismo nos meios
artísticos e intelectuais do país.
No
Brasil, o Parnasianismo teve início em 1882 com a publicação do livro Fanfarras, de Teófilo Dias. O livro
constitui nossa 1ª manifestação poética parnasiana.
Apesar
da característica acadêmica e pela formalidade do movimento, é válido ressaltar
que nem sempre os poetas parnasianos brasileiros seguiram com total fidelidade os
cânones do estilo. Olavo Bilac, por exemplo, produziu muitos poemas de sensibilidade
romântica, mostrando lirismo amoroso e sensual em “Via Láctea” e “Sarças de
Fogo”.
O traço mais
característico da poética parnasiana é o culto da forma: a forma fixa
representada pelos sonetos:
"O
Parnasiano foi outra vítima da inteligência que construiu a prisão onde quis
encerrar o poeta. Foi à prisão sem ar que morreu o
Parnasianismo. Não há prisioneiro encarcerado, convicto, arrastando corrente,
que não queira romper as cadeias, fugir, brandando um grito de liberdade...
Esse grito foi o verso livre.”
(Rubens Borba de Morais, modernista).
2. OLAVO BILAC
Olavo
Brás dos Guimarães Bilac (1865-1918) nasceu no Rio de Janeiro, estudou medicina
e direito, mas não concluiu nenhum dos cursos.
Foi
defensor da instrução primária da educação física e do serviço militar obrigatório.
Patriota escreveu o Hino à Bandeira e dedicou-se a temas de caráter histórico-nacionalista.
Sua primeira obra publicada foi Poesias (1888) onde o poeta já demonstrava estar incluso e identificado com as propostas do Parnasianismo, vez ou outra vemos em seus textos a valorização dos sentimentos que lembra o Romantismo.
Embora sua poesia nem sempre expresse uma visão profunda sobre o homem e sua condição, Bilac foi o mais jovem e o mais bem acabado poeta parnasiano brasileiro. Seus poemas, principalmente os sonetos, apresentam perfeita elaboração formal.
Sua primeira obra publicada foi Poesias (1888) onde o poeta já demonstrava estar incluso e identificado com as propostas do Parnasianismo, vez ou outra vemos em seus textos a valorização dos sentimentos que lembra o Romantismo.
Embora sua poesia nem sempre expresse uma visão profunda sobre o homem e sua condição, Bilac foi o mais jovem e o mais bem acabado poeta parnasiano brasileiro. Seus poemas, principalmente os sonetos, apresentam perfeita elaboração formal.
Seu volume de Poesias Infantis, encomendado
pela Editora Francisco Alves, é uma coleção de 58 poemas metrificados falando
sobre a natureza e a virtude:
"Era preciso achar assuntos simples,
humanos, naturais, que, fugindo da banalidade, não fossem também fatigar o
cérebro do pequenino leitor, exigindo dele uma reflexão demorada e profunda”.
(Olavo Bilac)
Pensamento
do grande escritor Olavo Bilac quando, a pedido Editora Francisco
Alves, escreveu, em 1895, o seu famoso livro Poesias Infantis, publicado
em 1904 e 1929:
Ao
Leitor
Quando a casa Alves &
Cª me incumbiu de preparar este livro para uso das aulas de instrução primária,
não deixei de pensar, com receios, nas dificuldades grandes do trabalho. Era
preciso fazer qualquer coisa simples, acessível à inteligência das crianças; e
quem vive a escrever, vencendo dificuldades de forma, fica viciado pelo hábito
de fazer estilo. Como perder o escritor a feição que já adquiriu, e as suas
complicadas construções de frase, e o seu arsenal de vocábulos peregrinos, para
se colocar ao alcance da inteligência infantil?
Outro perigo: a
possibilidade de cair no extremo oposto – fazendo um livro ingênuo demais, ou,
o que seria pior, um livro, como tantos há por aí, falso, cheio de histórias
maravilhosas e tolas que desenvolvem a credulidade das crianças, fazendo-as ter
medo de coisas que não existem. Era preciso achar assuntos simples, humanos,
naturais, que, fugindo da banalidade, não fossem também fatigar o cérebro do
pequenino leitor, exigindo dele uma reflexão demorada e profunda.
Mas a dificuldade maior
era realmente a da forma. Em certos livros de leitura que todos conhecemos os
autores, querendo evitar o apuro do estilo, fazem períodos sem sintaxe e versos
sem metrificação, uma poesia infantil conheço eu, longa, que não tem um só
verso certo! Não é irrisório que, querendo educar o ouvido da criança, e
dar-lhe o amor da harmonia e da cadência, se lhe deem justamente versos
errados, que apenas são versos por que rimam, e rimam quase sempre erradamente?
Não sei se consegui
vencer todas essas dificuldades. O livro aqui está. É um livro em que não há
animais que falam, nem fadas que protegem ou perseguem crianças, nem as
feiticeiras que entram pelos buracos das fechaduras; há aqui descrições da
natureza, cenas de família, hinos ao trabalho, à fé, ao dever; alusões ligeiras
à história da pátria, pequenos contos em que a bondade é louvada e premiada.
Quanto ao estilo do
livro, que os competentes o julguem. Fiz o possível para não escrever de
maneira que parecesse fútil demais aos artistas e complicada demais ás crianças.
Se a tentativa falhar,
restar-me-há o consolo de ter feito um esforço digno. Quis das à literatura
escolar do Brasil um livro que lhe faltava. (Olavo Bilac)
3.1 ALGUMAS OBRAS
Poesias (18888 – reuniam Panóplias, Via Láctea,
Sarças de Fogo, Alma Inquieta, As Viagens, O Caçados de Esmeraldas)
Sagres (1889)
Poesias Infantis
Tarde (seu último livro – publicado postumamente em
1919)
Crônicas e Novelas (1894)
Critica e Fantasia (1904)
Ironia e Piedade (1916)
Conferências Literárias (1906)
O Tratado de metrificação (em colaboração com
Guimarães Passos)
O dicionário de rimas (também em colaboração com
Guimarães Passos)
A defesa nacional (discursos de atuação patriótica)
Últimas conferências e discursos (1924)
A Terra Fluminense
Contos Pátrios
Pátria Brasileira
Teatro Infantil
Análise
Semântica do texto literário
Na
última estrofe, o poeta faz uma alusão a Camões, que consolidou a língua em “Os
Lusíadas” (epopeia), que narra ações grandiosas. A história narra os
feitos heroicos dos portugueses durante as grandes navegações.
O
autor aponta a relação subjetiva entre o idioma novo e faz uso da sinestesia,
Bilac deixa mais claro seu amor pelo idioma (língua) quando faz o uso de
vocativo “Amo-te”.
O
poema Língua Portuguesa está estruturado em 14 versos decassílabos com
10 sílabas métricas cada um. No processo de escansão dos versos é possível
verificar a ocorrência da crase e da elisão. Elisão e Sinalefa referem-se
ao recurso estilístico de unir silabas. A elisão ocorre quando há
modificação fonética decorrente do desaparecimento da vogal final átona diante
da inicial vocálica da palavra seguinte.
1
2
3 4
5 6 7 8
9 10
“É/s-
a-um / tem/po,- es/plen/dor / e/ se / pul/ TU / (ra)”
1 2 3 4
5 6 7
8 9 10
Possui
04 estrofes, agrupadas em 02 quartetos e 02 tercetos, podendo, portanto, ser
classificado como um soneto, que é marcado por normas clássicas da pontuação e
rima. As rimas do poema são interpoladas ou opostas, do ABBA. Quanto à
acentuação tônica são graves, pois ocorrem sempre em palavras paroxítonas. Há a
ocorrência de rimas ricas, pois a maioria pertence à classes gramaticais
diferentes o que era comum na poesia de Olavo Bilac.
INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE POÉTICA EM OLAVO
BILAC – “LÍNGUA PORTUGUESA”
Sabemos
que o traço mais característico da poética parnasiana é a forma fixa
representada pelos sonetos, que possuem métricas dos versos alexandrinos (12
sílabas poéticas) e decassílabos perfeitos: rima rara, rica e perfeita.
Analisaremos,
então, o soneto abaixo:
Língua Portuguesa
Olavo Bilac
Última flor do lácio, inculta e bela
És, a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
És, a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de alto clangor, lira singela
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura
Tuba de alto clangor, lira singela
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo
Amo-te, ó rude e doloroso idioma
De virgens selvas e de oceano largo
Amo-te, ó rude e doloroso idioma
Em que da voz materna ouvi: "meu filho
E em que camões chorou, no exílio amargo
O gênio sem ventura e o amor sem brilho
E em que camões chorou, no exílio amargo
O gênio sem ventura e o amor sem brilho
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O
presente artigo,
realizado durante a disciplina de Literatura Brasileira: Poesia,
tem por preocupação contribuir para que se conheça melhor o movimento
Parnasiano no Brasil e um dos principais
nomes desse estilo – Olavo Bilac.
Através
deste trabalho nos certificamos que o ser humano, ao longo da história, rompe
com aquilo que considera ultrapassado e propõe algo “novo” revestido por uma
linguagem diferente.
O
parnasianismo representa, na poesia, uma oposição ao romantismo (representa um
retorno ao clássico – objetividade nos temas abordados, impessoalidade, busca
da rima mais rica, preferência pelo soneto, valorização da metrificação,
mitologia revalorizada, linguagem rebuscada e culta, etc.).
É
importante ressaltar que mesmo que Olavo Bilac tenha pertencido ao movimento
Parnasiano, o autor não seguiu à risca essa poética excessivamente formalista. Em
um texto ou outro podemos observar certa valorização dos sentimentos, traços de
sensualidade e patriotismo.
A
escolha do poema Língua Portuguesa, de
Olavo Bilac, foi justamente para mostrar a abordagem que o autor faz sobre o histórico
da língua portuguesa, utilizando recursos que indicam a rusticidade e beleza em
seus versos.
Referências
MOISÉS,
Massaud. História da Literatura
Brasileira: Romantismo, Realismo
São Paulo: Cultrix: Ed, da Universidade de São Paulo, 1984
CEREJA Roberto William; MAGALHÃES Cochar Thereza. Literatura Brasileira: ensino médio 2.ed reform São Paulo: Atual,2000
São Paulo: Cultrix: Ed, da Universidade de São Paulo, 1984
CEREJA Roberto William; MAGALHÃES Cochar Thereza. Literatura Brasileira: ensino médio 2.ed reform São Paulo: Atual,2000
FARACO,
Carlos Emilio; MOURA, Francisco Marto de.
Português, Projetos. 1ªedição. Volume único.São Paulo:Ática,2009
Sites
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bilac.html
visto em 06/05/2015 às 12h37min
http://falasaoacaso.blogspot.com.br/2012/08/olavo-bilac-poesias-infantis.html visto em 06/05/2015 às
12h40min
http://www.infoescola.com/escritores/olavo-bilac/ visto em 06/05/2015 às 13h40min
http://odeter.blogspot.com.br/2012/11/lingua-portuguesa-soneto-de-olavo-bilac.html visto em 06/05/2015 às 13h48min